quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Diante do que tenho...

EM 25/08/2010, na Biblioteca Municipal, confirmou o que eu sentia no meu trabalho no cotidiano da escola. Parabéns e obrigado.

PODE A BIBLIOTECA
DEIXAR DE SER O APÊNDICE DA ESCOLA
PARA SER PARTE DO APARELHO DIGESTIVO.
BIBLIOTECA,
LUGAR ONDE  IDEIAS E INFORMAÇÕES 
ESTÃO BASTANTE CONCENTRADAS
 ESPERANDO PARA SEREM DIGERIDAS
E ABSORVIDAS POR ORGANISMOS VIVOS
E SEDENTOS DESSAS INFORMAÇÕES E IDEIAS.
 O ALUNO.
03/06/2009

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Despedida da 21ª Bienal 2010

Hora de voltar pra casa transbordando de tanta alegria e emoção

Tempos da Faculdade FIO, Ourinhos

No centro o Roberto. Que bom foi te ver, desculpe a falta de atenção.

Ela na a Bienal

Clarice Lispector e seu olhar enigmático

O Bamba das letras na Bienal 2010

Monteiro Lobato, sua prole e eu(sinha)

Olha quem estava lá! Na Bienal...

Elas estavam lá e, felizes pela amiga Bruna, de Piracicaba.
Fases de um luar de certezas incertas
Adolescente é assim...

Era só emoção na Bienal 2010

Eu, na espera da abertura dos portões;
.
  Francine, amiga também de horas felizes;        Carlos, o marido, apoio emocionado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Classificação do I Prêmio "Ser Autor"

A culpa do livro

Pedro: Um adolescente adorável!  Atraia pessoas a sua volta.
Fisicamente, um adolescente comum, magro, alto, moreno claro, barba despontando, muito risonho de aparelho nos dentes.  Cabelos compridos, cacheados, brilhantes e bem cuidados. Cabelo invejado por muitos.
Bom amigo, colega, aluno. Um filho responsável que trabalhava para ajudar a mãe.
Com dúvidas, angústias em casa, comuns para a idade. Sempre carinhoso, alegre, respeitoso, educado, simples, ouvinte, observador e consciente.
Tinha  problemas como todo adolescente. Sua paixão, escrever poesias.
Quando surgiu a oportunidade de participar com outros colegas do concurso estadual de poesia, foi encorajado, entre outros alunos que escreviam poesias, a participar.
            Por ser tímido e vergonhoso ficou arredio com o fato. Seus colegas ficaram sabendo que a professora o chamara pra conversar sobre o fato. Claro, logo se espalhou a notícia sobre a insistência para escrever as poesias.
Adolescente tem dessas coisas, se cobram bastante. A opinião dos colegas conta   numa decisão particular.  Uns nem se importam com a intromissão, deboche dos colegas, mas Pedro era diferente e ficou sem graça com o convite. Não acreditava em si, insegurança de adolescente.  Ficou se esquivando ao máximo, já às vésperas de entregar as poesias. 
Procurei por ele para saber o que aconteceu.
Justificou dizendo que havia desistido por tudo que os colegas  disseram: “Suas poesias são muito loucas, cara!” Ficou na dúvida e achou melhor não entregar .
 Argumentei:
_ Você vai desistir por causa de colegas?
_ Mas, não sei se queria mesmo... Fiquei com vergonha professora!
_ O que a sua mãe falou disso tudo? - perguntei.
_ Ela disse que eu devia participar, sim. Sempre gostou e deu maior força ao que fiz até hoje.  Leu tudo que eu escrevi...
_ Você gostou do Renato Russo, do Cazuza?
_ Adorei! Eles eram demais, muito “massa”! Os caras eram cabeça, professora.
_ Então... Muitos chamaram o Cazuza e o Renato Russo de loucos. Não foi? Hoje, quem são aqueles  que os chamaram de loucos? Quem são Cazuza e  Renato Russo? É por aí! Não esquente a cabeça com as críticas não. Muitos queriam fazer o que você faz e não têm o dom, por causa disso tentam desanimar você. Você vai se deixar dobrar por eles?
A diretora quando soube da desistência do Pedro ficou chateada.
Fomos a procura dele, de tardezinha, chegamos a sua casa. Lar simples  ele muito sem graça nos recebeu com seu violão na mão e, a contra gosto,  prometeu perante à diretora que no dia seguinte levaria  à escola as poesias para serem encaminhada ao concurso. E, levou. Digitou, corrigimos o que ele permitiu e como permitiu. Enviei a dele e dos outros colegas.
Tempos depois na biblioteca passou pelas minhas mãos o livro, “Resistindo à pressão dos colegas”  de Jim Auer. Logo pensei naquele episódio e naquele adolescente.  Chamei o garoto e meio que o intimei para que levasse o volume que eu separei especialmente para ele. Para me agradar levou o livro, ficou muito tempo com ele.
Certo dia,  encontrei com o Pedro no recreio e perguntei sobre o  livro  ele disse:
_ Muito bom, adorei e serviu muito pra mim, professora. Só que esqueci. Amanhã eu trago. Foi tudo que eu precisava pra tomar umas atitudes.
Não me lembro se foi no dia seguinte, estava ele chegando à escola, retirou o livro da mochila e, em tom de satisfação disse:
_ Professora depois de tanto tempo eu trouxe o livro. Desculpe a demora. Eu não gosto de ler, mas valeu ter levado esse livro. Foi muito bom ter lido. Nunca pensei que um livro fosse me ajudar tanto assim.
_ Que bom que foi útil! Que legal! Fiquei feliz por ter acertado na sugestão.
Quando vi que o Pedro cortou cabelo, eu mais que depressa disse:
_ Por que você cortou o cabelo? Tão lindo que estava!  Que pena!
O Pedro, muito naturalmente me respondeu com segurança e certeza:
_ Culpa do livro professora. Eu não cortei meu cabelo antes porque os outros gostavam. Li o livro, criei coragem, mandei “vê”. Cortei! Estou aliviado. Obrigado.



Texto classificado no  Concurso I Prêmio 'Ser Autor' na Categoria IV com o gênero  memória literária, sobre o tema "Vi, nos olhos de meu aluno, a alegria de ser leitor" realizado pelo C.R.E Mário Covas  em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e  CENP-SEE de São Paulo

A simplicidade naturalmente pura

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Patrimônio Cultural

1° Bacia de Batismo do município de Valença - RJ





Banda Distrital - Santa Isabel do Rio Preto (Valença - RJ)


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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Copa do Mundo

Projeto Copa do Mundo - 2010

Releitura do Livro 'Ifá, o adivinho'





Releitura do Livro 'Ifá, o  adivinho'



Releitura do livro do 'Ifá, o Adivinho' de Reginaldo Prandi e ilustrações de Pedro Rafael.
Editora Companhia das Letrinhas.


Catavento da Copa

As Latinhas também amam







3ª Série A - 2009


As  latinhas  também  amam (um romance a favor da reciclagem)
Julieta de Godoy Ladeira
Atual Editora

Leitura diária na classe.
Conscientização da criança desde cedo a tomar compromisso, responsabilidade além de envolver-se com a problemática do meio ambiente, desenvolvimento sustentável, aliada à necessidade de trabalhar a leitura e importância da biblioteca como espaço a ser valorizado bem como os conteúdos pertinentes à 3ª série do Ciclo I.

NESSE PRIMEIRO TRABALHO DE LEITURA DIÁRIA,
EM VOZ ALTA, COM APOIO DO PROFESSOR DA CLASSE 
PUDE PERCEBER O VÍNCULO QUE SE PODE CRIAR
ENTRE BIBLIOTECA E ALUNO. QUÃO PRODUTIVO 
E PRAZEROSO ESSE TRABALHO PODE SER.
FOI MUITO TRABALHOSO, CLARO QUE RECONHEÇO
O MELHOR FOI PERCEBER QUE PODE A BIBLIOTECA
DEIXAR DE SER O APÊNDICE DA ESCOLA
PARA SER PARTE DO APARELHO DIGESTIVO.
BIBLIOTECA, LUGAR ONDE  IDÉIAS E INFORMAÇÕES 
ESTÃO BASTANTE CONCENTRADAS ESPERANDO 
PARA SEREM DIGERIDAS E ABSORVIDAS 
POR ORGASNISMOS VIVOS E 
SEDENTOS DE INFORMAÇÕES E IDÉIAS.
 O ALUNO












Trabalho realizado pela Professora:
Eliane Silci Almeida Rodrigues

Arca de Noé

Projeto Arca de Noé

2° Ano
Todas as salas
4° série B
Arca montada
ATP Arte Cristina


Comunidade na Escola
Família Participativa


Gestão participativa



Trabalho realizado pelo Professor:
Anderson Pedro Hernandes

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dança

Dança de cada um

A escola como organismo vivo tem um ritimo dançante bastante curioso e rico. A entrada é uma preparação, um aquecimento para uma dança coletiva que dura um período do dia na escola.
Especialmente o período da tarde é bastante interessante. Os pequeninos chegam a passos pequenos com suas perninhas curtas. Chegam quase pendurados pelas mãos de seus guias, os responsáveis, que podem ser pai, mãe, irmãos, avô e avó. Estes cada vez mais frequentes.
Há os que chegam de carona e, de longe vendo a movimentação dos colegas na rua, numa espécie de concentração, já ficam impacientes dentro do carro. Ao sair, faz em segundos um contorcionismo para saírem do foco e livrarem de seus guias. Com as mochilas presas às costas, como parte de seus corpos ou anjos que os olhará dali por diante.
Querem logo estar ali, pertencer àquela alegria colorida, barulhenta e coletiva e nem percebem o perigo ao saírem do carro correndo e atravessando a rua sem olhar para os lados.
Ali dentro começa a vida fora das vistas dos familiares e, vale com ou sem autorização deles começar as atitudes autônomas, experimentações de criança. Seus apoios são as mochilas. É o que têm de mais íntimo e que agora são suas dependentes e ou protetoras. As que têm rodinhas fazem uma dança paralela com seu dono até chegarem à fila depois à classe.
Os menores sobem as escadas equilibrando-se com as mochilas, o que tem de mais íntimo até a saída. Os maiores já meio que independentes entram com os colegas, amigos afins seus interesses e formas próprias de serem notados.
Dentro das salas há um controle por parte dos professores e os maiores já estão empurrando os limites estabelecidos por eles, ações de andarem e estarem levantando o tempo todo em sala como um jogo preparatório para a dança das cadeiras, de tanto que as arrastam. Quer de alguma forma chamar a atenção para si e, a dança dos cadernos ou livros na ponta do dedo ao olhar dos demais. O movimento desvia a atenção de todos para si deixando o professor a falar sozinho. Este é o primeiro a ser incomodado. É o que o adolescente quer, atenção nem que seja brigando alguém presta atenção em mim, sacou professor? - Parece querer dizer. Os colegas parecem querer medir o tempo que o colega consegue com aquele ballet em um dedo só.
Também nas salas os professores riscam as passadas das danças das mãos a segurarem o lápis. Todos numa dança coletiva a registrar o saber em passos caligráficos de conhecimento. Com mais ou menos coordenação motora e isso depende do limite ou tempo de cada um.
Vem o recreio e a fila da merenda é um trajeto lento, como o ensaio para uma dança a ser realizada. Após alimentarem-se cada grupo procura seu canto predileto no pátio. Os menores sentam-se em uma roda e fazem uma espécie de piquenique onde comem seus lanches trazidos de casa, conversam e brincam até que dê a hora de voltarem para as suas salas.
Os grupos têm ações que é uma dança combinada e imprevisível ao mesmo tempo. Enquanto uns saem a caminhar, em seu espaço e ritimo procuram no pátio o seu lugar, geralmente próximo à sala de aula.
Noutro ponto, duplas sentam-se para o bafinho, uma dança pulada de mãos, de frente um para o outro, num jogo espelhado alternando o parceiro e com estratégias pessoais para ver quem arrebanha mais cartas do outro. Mesmo quando as mãos já não fecham de tanta carta conquistada. Esse é um jogo masculino.
Há os meninos que correm num pique desenfreado.
Para uma disputa de concentração e desafio à rapidez do parceiro há o “trissilomelo”, jogo de aproximação dos sexos. Onde um de frente para o outro batem palmas na mão do outro em um ritimo acelerado ao mesmo tempo vão repetindo monossílabos combinados entre eles. Acontecem entre colegas de ambos os sexos, mais comum entre meninas.
O toque, o contato mais íntimo, nessa dança dentro da escola, nesse horário não é comum. Somente as topadas, correm muito brincando de pique e, na correria trombam e machucam-se, confrontam a lei da física que diz: ‘dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço’.
A biblioteca, localizada no meio do fervo, no centro da escola, é o espaço para todas as idades e gostos pessoais durante o recreio. Nela são olhos bailando por páginas de histórias começadas ou não no dia anterior. Os iniciantes aparecem pelo simples toque dos dedinhos a deslizar por folhas coloridas e cheias de imagens que os leva a sonhar com o que pode ter ali de tão mágico, afinal todas as histórias ouvidas estão em algum lugar registradas, mas tem que ser com pressa, pois, o tempo agora corre e eles têm que chegar ao fim da história começada antes do último sinal para a volta a sala.
Lá fora raramente tem a dança da atração entre os maiores. Uma roda de meninos joga uma bola de folhas de caderno amassadas e vez ou outra passa a menina já com o despertar da paquera e dá uma olhadinha para o menino que ainda têm a bolinha de papel como foco. Ela continua a passear pelo pátio de braços dados com outras. Os olhares cruzam com os colegas e até quem sabe paqueras. Os rizinhos são afirmativas, confirmação da paquera, do interesse mútuo que daqui a pouco se perde com uma brincadeira inventada logo ali na frente. Nesse período, as ficadinhas ainda não acontecem.
De volta às classes a dança das mãos prossegue e o esgotamento de alunos e professores após o recreio é nítido. Atividades que exigem mais esforços não são para esse horário. Os alunos que insistem na dança da preguiça, de não quero nada com isso, não esperam outra coisa. Que venha o término do período.
Ao final do dia, a saída é apressada. É um misto de saudade que os pequeninos sentem dos pais, de casa e ansiedade em contar as novidades que aprendeu. Que loucura é chegar até o portão da saída. Aquelas perninhas curtas da entrada agora correm para a mão do guia que espera lá fora e tem o papel de diminuir o ritimo que veio de dentro. Os carros a espera com as portas fechadas são a parada obrigatória para voltar aos bancos de trás.
Como na entrada há os que saem a passos lentos, como que arrastando o cansaço da dança de todo o dia que se finda nesse salão de baile com danças diversas, a escola. Saem em duplas, aglomerados, grupos agora os toques acontecem com intensidade, sutileza, equilíbrio, aprendizado e entrosamento prazeroso para todos.
Assim é o ritimo dançado no dia a dia da escola.

Isabel de Lourdes Duque Deodato.
16.05.2010.

Música

Ritual de sonoridade na escola


O ambiente escolar, com seus barulhos, sons é sempre carregado da alegria gritante e contagiante dos adolescentes.
Começa bem cedinho. Nos arredores da escola eles despontam timidamente. Ora a passos apressados ora a passos lentos. Os que vêm com passadas mais rápidas querendo chegar logo para misturarem-se ao grande bando. Sua pressa é para que seja o primeiro a começar o vôo ao encontro dos outros que se aproximam e saber as primeiras impressões e novidades do dia que está por vir. Já os vagarosos têm outro propósito eles vêm como se quisessem prolongar o percurso, valorizar sua chegada causar expectativas a quem está os esperando dentro dos portões da escola, uma forma bem sucinta de chamar atenção de quem tem a responsabilidade de controlar os atrasados. – me viu aqui? - parecem querer dizer. Em suma. Não querem acordar ainda!
No portão estreito valoriza a demora para despertar atenção dos passantes e exibir-se aos colegas. Todos com uniformes próprios de suas tribos que inclui tênis, camisetas, calças, moletons de capuz cobrindo a cabeça para uns, bonés para outros, penduricalhos nas mochilas, celulares, electrônics teen, além de alguns hábitos para pertencer aos grupos como barriguinhas sequinhas de fora e cuecas à mostra, cabelos tintos e cortes ‘Emo’ é próprio da época, unhas coloridas, tatuagens, brincos para meninos, piercing para ambos os sexos entre outras novidades que passarão a usar e abolir em curto espaço de tempo. Uns mais aparec(i)entes outros mais retraídos e tímidos estes não sabem ainda como entrar e pertencer àqueles que não tem essa preocupação de estarem ou não sendo aceitos. É como se quisessem dizer “to aqui porque cheguei”.
Todos são o que são em acelerada descoberta, busca interior, dúvidas mil, um protestar frenético, testar limites dos que venham a ter postura de regular, colocar regras ou que simplesmente passe por eles. Sua necessidade é pertencer a uma tribo, grupo, bando...
Quando então dá o primeiro sinal, o do início das aulas, estão todos no pátio da escola o som de seus aparelhos eletrônicos não são ouvidos, suas conversas são gritadas porque cada um tem que se entocar em sua sala de aula. Aluno adora a escola, só não gosta das aulas. Lá começa outra tentativa de sobressair a outro grupo o de nível de conhecimento e aprendizagem e não de afinidades. De repente o barulho parece acabar. Só parece...
Começa agora um som abafado. O das salas compactadas. Até que o professor consegue ser ouvido e manifestar-se leva um tempinho. Os burburinhos diminuem o que para os alunos que insistem em não desacelerar o ritimo e o tom da voz é terrível há aqueles que insistem em não acordar. É como se o seu trajeto até à escola tivesse sido apenas um sonambulismo e, debruçam sobre as carteiras para continuar o sono interrompido pelo sonho. Que dó! É próprio de o adolescente dormir bastante pela manhã.
Nessa idade, os meninos estão mudando sua voz e, é humanamente impossível a competição deles com um professor ou professora dentro de uma sala de aula. E, por outro lado as adolescentes querem ser ouvidas a todo custo, a todo grito e volume sabe-se lá o que.
Essa rotatividade de barulhos abafados e compactados se dá até a hora do recreio a cada sinal com a troca de professores quando retoma o processo de desacomodação de alunos, professores, sons e nova acomodação na sala de aula. É eletrizante para os alunos e desgastante para professores. Adolescente é assim elétrico, agitado, barulhento e salvo alguns casos de quietude, timidez e silêncio. Talvez por receio de ser alvo de bulling.
Então chega o ponto alto do dia. O recreio! Come-se primeiro atendendo a uma necessidade orgânica. E, na fila começa o processo do durante o recreio. O tempo é curto. Tudo e todos às pressas. Não dá pra esperar o colega chegar. Grita-se muito. Fala-se alto. Ouve-se música. Cada um a sua. Quer a do outro também. Voltinha pra lá. Voltinha pra cá. Olhares! Esbarrões, propositais ou não! Insinuações despretensiosas. Início da sexualidade. Descobertas múltiplas e intensas. Ninguém pode esperar. Os menores ou mais infantis ainda, brincam de pique. Correm muito. Ninguém quer esperar. Entradinha rápida na biblioteca e sai. Os que estão na contramão de todo esse agito, têm tempo e sempre folheiam um livro que deixou reservado dia anterior com a bibliotecária.
Final do recreio, o primeiro sinal para a volta às classes. Esse é o horário de pico nesse ritual sonoro na escola. Até o segundo sinal tudo precisa estar combinado para a saída. Cinco minutos de últimas olhadinhas. Rizinhos. Gritos. Adeusinhos. Demonstrações masculinas e exibições femininas. È só alegria!
Depois do recreio o tom insiste em não baixar dentro das salas. Dificulta o trabalho dos professores. É a preparação para a saída ao final do período. Com tudo que foi tramado até o recreio, elaborado no curtíssimo tempo do mesmo e que será executado fora da escola. Encontros ou ficadinhas.
Ao final das aulas há os que têm pressa de saírem dos portões para ver os colegas se retirarem. Um a um observa atento. Há os que preferem ser observados por aqueles. E, ainda há os que querem demorar na saída para degustarem os restos de alegria espalhados pelo pátio, salas vazias, professores saindo na contramão deles com um risinho de tchau, e até amanhã.
De lá de dentro da escola ouve-se o barulho se desmanchando. Apressado para uns. Os pais à espera de outros. Alguns adolescentes enrolando ao máximo para ver o que vai sobrar da agitação e de todo aquele dia e levar consigo para começar a manhã seguinte. O bando divide-se em tribos de bairros e ou ruas próximas. Indo em todas as direções.
Seus barulhos de sorrisos, gritos próprios, característicos os acompanha e vão distanciando. É como quando o botão do volume de um rádio é girado para o menos ao toque do ouvinte. Lembrando a saída da banda lá da praça na música ‘A banda’ de Chico Buarque. Se esvaindo, lento, devagar e baixinho. Pra trás restos e alegria, encontros, brincadeiras e promessas de recomeçar no dia seguinte. Cada tribo no seu destino.
Já é final do final e a esperada acomodação auditiva ainda não acontece recomeçando agora menos volumosa e intensa, só por aqueles poucos, que primeiro chegaram, primeiro saíram e querem encaminhar todos até seus destinos para saberem tudo de todos. Querem sobressair a todos é assim que eles pertencem ao bando todo. Eles não têm pressa de chegarem as suas casas. Estão preparando não vêem a hora de começar tudo de novo no dia seguinte. É o ritual sonoro da escola, dia após dia.

Isabel de Lourdes Duque Deodato.
10/05/2010.

Atualização em Arte - DERO - 2010

Nos territórios da Arte - Música e Dança




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